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Como montar uma loja de calçados

Sumário

1 - Cenário

2 - Mercado

3 - Localização

4 - Exigências Legais e Específicas

5 - Estrutura

6- pessoal

7 - Equipamentos

8 - Matéria Prima e mercadoria

9 - Organização do processo produtivo

10 Automação

11 - Canais de distribuição

 12 - Investimento

13 - Capital de Giro

14- Custos

 15 - Diversificação / Agregação de valor

16 - Divulgação

17  - Informações Fiscais e Tributárias

 18 - Eventos

19 - Entidades em Geral

20 - Normas técnicas

21 - Glossário

22 - Dicas de Negócio

23 - Características

 24 - Bibliografia

 

1 – Cenário

O empreendedor que deseja montar uma loja de calçados precisa de capital para adquirir o estoque inicial de produtos, além do investimento necessário para a montagem da loja.

O segmento corresponde a 1,5% do total de lojas do varejo.

O sistema de franquias também representa uma boa opção para entrada neste ramo de negócios. As redes crescem 30% ao ano, faturando mais de R$ 3 bilhões.

2 – Mercado

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a indústria nacional de calçados produz, anualmente, 894 milhões de pares de calçados, fatura R$ 12,3 bilhões e gera 348,7 mil empregos.

Nas transações com o comércio exterior, o setor exporta 143 milhões de pares (ou R$ 1,5 bilhão) e importa 28,7 milhões de pares (ou R$ 304,6 milhões). O varejo brasileiro consome 779,6 milhões de pares.

As lojas de calçados tiveram uma grande expansão nos maiores centros urbanos do país, principalmente nos últimos 10 anos.

Esse crescimento deve-se à melhora da qualidade dos calçados comercializados no país e também por uma mudança cultural, em que uma boa parte da sociedade passou a preferir a compra de novos calçados ao invés de consertá-los.

Nesse mercado apresentam-se como opção três tipos de lojas:

  1. As multimarcas, tipo mais comum e que trabalha simultaneamente com vários fornecedores e modelos de calçados;
  2. A franqueada, que negocia especificamente os modelos fabricados pela marca representada; e
  3. As lojas de fábrica, que além de normalmente só negociarem o próprio calçado, costumeiramente contam com preços competitivos.

Em relação às lojas multimarcas, o empreendedor precisa de muita habilidade para negociar com fornecedores, representantes e clientes.

Além disso, precisa conhecer o mercado para identificar os modelos e marcas de sucesso, apostar em novas marcas (em geral com preços mais atrativos) ou em empresas consagradas (cujo público fiel costuma compensar os preços mais altos dos produtos), e criando estratégias eficazes de marketing.

Se for uma loja franqueada, as preocupações serão mais específicas. Como a loja só irá negociar calçados fabricados pela empresa escolhida, seu leque de negociações ficará mais restrito.

Porém, vários cuidados fundamentais devem ser adotados antes de contratar o negócio.

O custo/benefício dos produtos, a contrapartida e as garantias oferecidas ao franqueado são um bom começo.

Por fim, a loja pode ser do tipo fabricante, onde se monta um atacado juntamente com a loja de varejo de sua marca.

Devido ao risco intrínseco ao negócio, recomenda-se a realização de ações de pesquisa de mercado para avaliar a demanda e a concorrência.

Seguem algumas sugestões:

  • Pesquisa em fontes como prefeitura, guias, IBGE e associações de bairro para quantificação do mercado-alvo;
  • Pesquisa a guias especializados e revistas sobre o segmento;
  • Visita aos concorrentes diretos, identificando os pontos fortes e fracos dos estabelecimentos que trabalham no mesmo nicho;
  • Participação em seminários especializados.

3 – Localização

A localização do ponto comercial é a decisão mais relevante para uma loja de calçados. A sua definição deve se basear no estilo da loja (multimarcas, franqueada ou fabricante) e em seu público-alvo, incluindo ainda uma avaliação do tamanho do empreendimento e fatores que estão intimamente ligados às expectativas comerciais.

Dentre todos os aspectos importantes para a escolha do ponto, deve-se considerar prioritariamente a densidade populacional, o perfil dos consumidores locais, a concorrência, os fatores de acesso e locomoção, a visibilidade, a proximidade com fornecedores, a segurança e a limpeza do local.

Recomenda-se a instalação em áreas comerciais, especialmente cruzamentos de ruas para passageiros e pedestres na cidade. Lojas muito próximas a supermercados podem ter o seu movimento prejudicado.

O crescimento de alguns bairros e o aumento do fluxo em algumas avenidas podem influenciar na implantação de novos pontos comerciais. Os centros urbanos, aos poucos, estão se tornando menos atraentes devido a problemas de congestionamento, dificuldade para estacionar e poluição. Um bom ponto é aquele que fica perto ou no caminho do seu cliente.

As esquinas são mais valorizadas por serem visíveis por quem transita em ambas as ruas. Trechos de rua voltados para praça, largo, começo ou final de outra rua também possuem localização privilegiada.

Alguns detalhes devem ser observados na escolha do imóvel:

  • O imóvel atende às necessidades operacionais referentes à localização, capacidade de instalação do negócio, possibilidade de expansão, características da vizinhança e disponibilidade dos serviços de água, luz, esgoto, telefone e internet;
  • O ponto é de fácil acesso, possui estacionamento para veículos, local para carga e descarga de mercadorias e conta com serviços de transporte coletivo nas redondezas;• O local está sujeito a inundações ou próximo a zonas de risco;
  • O imóvel está legalizado e regularizado junto aos órgãos públicos municipais;
  • A planta do imóvel está aprovada pela Prefeitura;
  • Houve alguma obra posterior, aumentando, modificando ou diminuindo a área primitiva;
  • As atividades a serem desenvolvidas no local respeitam a Lei de Zoneamento ou o Plano Diretor do Município;
  • Os pagamentos do IPTU, referente ao imóvel, encontram-se em dia;
  • A legislação local permite o licenciamento de placas de sinalização.

4 – Exigências Legais e Específicas

Para registrar uma empresa, a primeira providência é contratar um contador – profissional legalmente habilitado – para elaborar os atos constitutivos da empresa, auxiliá-lo na escolha da forma jurídica mais adequada para o seu projeto e preencher os formulários exigidos pelos órgãos públicos de inscrição de pessoas jurídicas.

O contador pode se informar sobre a legislação tributária pertinente ao negócio. Mas, no momento da escolha do prestador de serviço, deve-se dar preferência a profissionais indicados por empresários com negócios semelhantes.

Para legalizar a empresa, é necessário procurar os órgãos responsáveis para as devidas inscrições.

As etapas do registro são:

• Registro de empresa nos seguintes órgãos:

  1. Junta Comercial;
  2. Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
  3. Secretaria Estadual da Fazenda;
  4. Prefeitura do Município para obter o alvará de funcionamento;
  5. Enquadramento na Entidade Sindical Patronal (a empresa ficará obrigada ao recolhimento anual da Contribuição Sindical Patronal).
  6. Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal no sistema “Conectividade Social – INSS/FGTS”.
  7. Corpo de Bombeiros Militar.

• Visita à prefeitura da cidade onde pretende montar a sua empresa (quando for o caso) para fazer a consulta de local.

• Obtenção do alvará de licença sanitária – adequar às instalações de acordo com o Código Sanitário (especificações legais sobre as condições físicas).

Em âmbito federal a fiscalização cabe a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, estadual e municipal fica a cargo das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde (quando for o caso).

• Preparar e enviar o requerimento ao Chefe do DFA/SIV do seu Estado, solicitando a vistoria das instalações e equipamentos.

As empresas que fornecem serviços e produtos no mercado de consumo devem observar as regras de proteção ao consumidor, estabelecidas pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). O CDC, publicado em 11 de setembro de 1990, regula a relação de consumo em todo o território brasileiro, na busca de equilibrar a relação entre consumidores e fornecedores.

O CDC somente se aplica às operações comerciais em que estiver presente a relação de consumo, isto é, nos casos em que uma pessoa (física ou jurídica) adquire produtos ou serviços como destinatário final. Ou seja, é necessário que em uma negociação estejam presentes o fornecedor e o consumidor, e que o produto ou serviço adquirido satisfaça as necessidades próprias do consumidor, na condição de destinatário final.

Portanto, operações não caracterizadas como relação de consumo não está sob a proteção do CDC, como ocorre, por exemplo, nas compras de mercadorias para serem revendidas pela casa. Nestas operações, as mercadorias adquiridas se destinam à revenda, e não ao consumo da empresa. Tais negociações se regulam pelo Código Civil brasileiro e legislações comerciais específicas.

Alguns itens regulados pelo CDC são: forma adequada de oferta e exposição dos produtos destinados à venda, fornecimento de orçamento prévio dos serviços a serem prestados, cláusulas contratuais consideradas abusivas, responsabilidade dos defeitos ou vícios dos produtos e serviços, os prazos mínimos de garantia, cautelas ao fazer cobranças de dívidas.

Em relação aos principais impostos e contribuições que devem ser recolhidos pela empresa, vale uma consulta ao contador sobre da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (disponível em http://www.leigeral.com.br), em vigor a partir de 01 de julho de 2007.

 

5 – Estrutura

Uma loja de calçados pode ocupar uma área mínima de 100 m2, com flexibilidade para ampliação conforme o desenvolvimento do negócio.

Os ambientes podem ser divididos da seguinte forma:

  • Exposição dos produtos: espaço dotado de expositores de calçados, de preferência em amplas vitrines voltadas para a área de trânsito de pedestres;
  • Atendimento/ Vendas: essa área deve ser ampla o suficiente para a alocação de cadeiras/sofás ou outras formas de assentos que possibilitem aos clientes provarem os calçados de seu interesse. Esse espaço é utilizado para que os vendedores abordem os clientes que entram na loja de calçados;
  • Estoque/Depósito: espaço destinado a prateleiras que recebem os pares de calçados, em caixas, a serem comercializados;
  • Administrativo-financeiro: espaço destinado à elaboração das tarefas administrativas e financeiras da loja de calçados, tais como fechamento do caixa, conciliações das vendas via cheque, dinheiro, cartões de crédito, crediário, contas a pagar, dentre outras. Também são executadas as tarefas de controle de estoques, compras e outras atividades de escritório.

O empreendedor deve planejar o mostruário de produtos no começo da loja, com gôndolas, prateleiras e araras, em ambiente arejado, limpo, claro e dentro das normas de segurança pré-estabelecidas pelo Corpo de Bombeiros.

Os fregueses são suscetíveis a impressões e informações adquiridas dentro das lojas. Portanto, as mídias fundamentais para transmitir mensagens mercadológicas são as paredes, tetos e corredores da loja.

A loja em si tornou-se uma enorme propaganda tridimensional, com sinalizações, prateleiras e expositores estimulando as compras dos clientes.

Estudos comprovam que quanto mais tempo o cliente permanece em uma loja, maior será o desembolso final.

É importante que as vitrines externas permitam a maior transparência para o interior da loja e que exponham, de forma organizada, uma boa variedade de produtos. Porém, em cidades grandes e em locais pouco seguros, a fachada deve ter dispositivos adicionais de segurança como alarmes, câmeras de vigilância e grades de ferro.

Todo o ambiente deve ser limpo e organizado. O piso, a parede e o teto devem estar conservados e sem rachaduras, goteiras, infiltrações, mofos e descascamentos. O piso deve ser de alta resistência e durabilidade, além de fácil manutenção.

Cerâmicas e ladrilhos coloridos proporcionam um toque especial, enquanto granito e porcelanato oferecem luxo e sofisticação ao ambiente.

As paredes devem ser pintadas com tinta acrílica. Tons claros são adequados para ambientes pequenos, pois proporcionam a sensação de amplitude. Texturas e tintas especiais na fachada externa personalizam e valorizam o ponto.

A utilização de forros de gesso proporciona a criação de diferentes efeitos de iluminação. Sancas com lâmpadas embutidas podem iluminar indiretamente o ambiente, ao mesmo tempo em que focos direcionados a vitrines e prateleiras destacam os produtos. Sempre que possível, deve-se aproveitar a luz natural.

No final do mês, a economia da conta de luz compensa o investimento. Quanto às artificiais, a preferência é pelas lâmpadas fluorescentes.

Profissionais qualificados (arquitetos, engenheiros, decoradores) poderão ajudar a definir as alterações a serem feitas no imóvel escolhido para funcionamento da loja, orientando em questões sobre layout, ergometria, fluxo de operação, iluminação, ventilação etc.

6- pessoal

O número de funcionários varia de acordo com o tamanho do empreendimento.

Para a estrutura anteriormente sugerida, a loja de calçados exige a seguinte equipe:

  • Proprietário: responsável pelas atividades administrativas, financeiras e da prestação dos serviços. Deve ter conhecimento da gestão do negócio, do processo produtivo e do mercado.
  • Estoquista: responsável pelo apoio aos vendedores, controle de estoque e execução de tarefas administrativas.
  • Caixa: responsável pelos manipulação dos meios de pagamento (dinheiro, cartão, cheque).
  • Vendedor: responsável pelo atendimento aos clientes e venda dos produtos.

Suas principais qualidades devem ser:

  • Conhecer em profundidade os produtos oferecidos;
  • Entender as necessidades dos clientes;
  • Conhecer a cultura e o funcionamento da empresa;
  • Conhecer as tendências do mercado;
  • Desenvolver relacionamentos duradouros com os clientes;
  • Transmitir confiabilidade e carisma;o Atualizar-se sobre as novidades do segmento;
  • Zelar pelo bom atendimento após a compra.

O fator humano é muito importante para o sucesso de uma loja de calçados. A contratação de vendedores competentes e com boa experiência sustenta a qualidade do serviço prestado. Os funcionários devem ser qualificados e comprometidos com o trabalho.

De acordo com o horário de funcionamento e com o volume de trabalho, pode ser necessária a contratação de mais vendedores. Esta expansão do negócio precisa ser planejada conforme o aumento do faturamento.

A qualificação de profissionais aumenta o comprometimento com a empresa, eleva o nível de retenção de funcionários, melhora a performance do negócio e diminui os custos trabalhistas com a rotatividade de pessoal.

Além do aspecto técnico, a capacitação dos colaboradores deve desenvolver as seguintes competências:

  • Capacidade de percepção para entender e atender as expectativas dos clientes;
  • Agilidade e presteza no atendimento;
  • Capacidade de apresentar e vender os serviços da loja;
  • Motivação para crescer juntamente com o negócio.

Deve-se estar atento para a Convenção Coletiva do Sindicato dos Trabalhadores nessa área, utilizando-a como balizadora dos salários e orientadora das relações trabalhistas, evitando, assim, consequências desagradáveis.

O empreendedor pode participar de seminários, congressos e cursos direcionados ao seu ramo de negócio, para manter-se atualizado e sintonizado com as tendências do setor.

7 – Equipamentos

Os equipamentos básicos para a instalação de uma loja de calçados são:

  •  Vitrines e prateleiras;
  • Balcão de atendimento e caixa;
  • Microcomputadores, caixas, telefone e aparelho de fax.

Ao fazer o layout da loja, o empreendedor deve levar em consideração a ambientação, decoração, circulação, ventilação e iluminação.

Na área externa, deve-se atentar para a fachada, letreiros, entradas, saídas e estacionamento.

8 – Matéria Prima e mercadoria

A gestão de estoques no varejo é a procura do constante equilíbrio entre a oferta e a demanda.

Este equilíbrio deve ser sistematicamente aferido através de, entre outros, os seguintes três importantes indicadores de desempenho:

  • Giro dos estoques: o giro dos estoques é um indicador do número de vezes em que o capital investido em estoques é recuperado através das vendas. Usualmente é medido em base anual e tem a característica de representar o que aconteceu no passado.

Obs.: Quanto maior for a freqüência de entregas dos fornecedores, logicamente em menores lotes, maior será o índice de giro dos estoques, também chamado de índice de rotação de estoques.

  • Cobertura dos estoques: o índice de cobertura dos estoques é a indicação do período de tempo que o estoque, em determinado momento, consegue cobrir as vendas futuras, sem que haja suprimento.
  • Nível de serviço ao cliente: o indicador de nível de serviço ao cliente para o ambiente do varejo de pronta entrega, isto é, aquele segmento de negócio em que o cliente quer receber a mercadoria, ou serviço, imediatamente após a escolha; demonstra o número de oportunidades de venda que podem ter sido perdidas, pelo fato de não existir a mercadoria em estoque ou não se poder executar o serviço com prontidão.

Portanto, o estoque dos produtos deve ser mínimo, visando gerar o menor impacto na alocação de capital de giro. O estoque mínimo deve ser calculado levando-se em conta o número de dias entre o pedido de compra e a entrega dos produtos na sede da empresa

O estoque de mercadorias é muito importante para o sucesso de uma loja de calçados. O empreendedor deve conhecer o perfil de sua clientela e vender os modelos com maior giro de estoque.

No Brasil, os principais pólos produtores de calçados estão nos estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Paraíba e Ceará.

São Paulo concentra quatro importantes pólos calçadistas brasileiros: Franca, Birigui, Jaú e Santa Cruz do Rio Pardo.

O pólo de Franca, com 85% da produção voltada para o público masculino, emprega 28 mil trabalhadores e abriga 760 indústrias de calçados, dentre elas o maior fabricante do país – a Vulcabrás.

Já Birigui é a capital do calçado infantil, com produção anual de 62 milhões de pares. Jaú se especializou na produção de calçados femininos, responsável por 40% do PIB da cidade. E Santa Cruz do Rio Pardo é conhecida pela fabricação de botas e sapatos estilo country.

No Rio Grande do Sul, há uma intensa produção de calçados e artigos de couro, aliada à oferta de componentes, máquinas e instituições de ensino e de desenvolvimento. O estado conta com 2.700 empresas de calçados e abriga 80% da indústria de máquinas para couros e calçados.

Em Santa Catarina, o pólo do Vale do Rio Tijucas, com 450 empresas, concentra a maior produção do estado, voltada para o público feminino.

No Rio de Janeiro, o programa Panorama Carioca busca desenvolver a nova estética carioca para desenvolvimento de produtos com a marca cultural da cidade.

Em Minas Gerais, há uma diversificação de produtos e de estilos, com mais de três mil fábricas que empregam 30 mil pessoas e produzem 20 milhões de pares.

Goiás está no início de suas atividades no segmento calçadista, estimuladas pela grande produção de couro local.

Na Bahia, a produção é dividida por diversos municípios, gerando uma receita de US$ 82,6 milhões com a exportação de 8 milhões de pares.

A Paraíba, com a fábrica da Havaianas em Campina Grande, destaca-se como o maior produtor nacional de sandálias sintéticas.

E finalmente o Ceará, com um pólo calçadista especializado na fabricação de chinelos, sandálias e sapatos de plástico ou borracha, tornou-se um importante centro exportador , devido à proximidade com os portos de Mucuripe e Pecém.

Uma forma de minimizar o risco do negócio é oferecer uma ampla variedade de produtos, de vários fornecedores. Com o tempo, será possível identificar as preferências dos consumidores e investir nas mercadorias de maior demanda.

A oferta de novidades é a principal fonte de atração de clientes. Além do giro do estoque, o empreendedor pode aumentar a oferta de produtos através do lançamento de novas linhas de venda.

9 – Organização do processo produtivo

O processo de comercialização dos produtos de uma loja de calçados pode ser dividido em duas etapas:

  • Aquisição de mercadorias: no comércio, “vender bem” significa, acima de tudo, “comprar bem”. O empreendedor deve ter perspicácia e sensibilidade para identificar oportunidades de aquisição que não demandarão muito tempo ou esforço para a revenda. A aquisição de mercadorias deve ser bem planejada e pode variar de acordo com as características do estabelecimento, e especialmente, com os hábitos de consumo da clientela. A negociação com fornecedores e distribuidores deve buscar condições favoráveis de preço e prazo de pagamento.
  • Atendimento e venda: na loja, os produtos devem ser separados em setores, de preferência com etiquetas de preços e códigos de barra. A organização é fundamental para o cliente encontrar com rapidez o que procura. Vendedores capacitados podem complementar o autoatendimento, sempre com prestatividade e cortesia. A atividade comercial necessita de profissionais que apresentem e orientem a compra dos clientes, buscando alternativas existentes no estoque.

As atividades da loja também englobam os processos de administração, finanças e gestão de recursos humanos. A gestão administrativa e financeira abrange o faturamento, o controle de caixa, o controle de contas a receber e cobranças, a compra de insumos, o controle de contas a pagar de fornecedores e a prestação de informações ao escritório contábil. Já a gestão de recursos humanos compreende a admissão, rescisão, treinamento e pagamento de funcionários.

10 Automação

Atualmente, existem diversos sistemas informatizados (softwares) que podem auxiliar o empreendedor na gestão de uma loja de calçados.

Seguem algumas opções:

  • Atrex;
  • Avante – Sistema de Controle de Loja;
  • AZ Comércio;
  • BitLoja Plus;
  • CallSoft Informatize Empresarial;
  • Chronus Store;
  • CI- Lojas;
  • Clothing Organizer;
  • Dataprol Sistema Comercial Integrado;
  • Elbrus Light Light;
  • Emporium Lite;
  • Empresarial Máster Plus;
  • Gerenciador de Loja de Confecções e Calçados;
  • Integrato Lite;
  • Little Shop of Treasures;
  • Loja Fácil – Easystore;
  • Loja. Salutar;
  • LojaSoft;
  • Myloja One;
  • OnBIT S2 Loja 2008;
  • Posh Shop;
  • REPTecno Comercial Plus;
  • REPTecno Loja Plus;
  • SGI-Plus Programa Automação Comercial Completo Integração com Balança;
  • SisAdven;
  • SisAdvenPDV;
  • SisGEF – Loja Comercial;
  • Sistema de Gerenciamento de Vendas;
  • Sistema Loja;
  • Sistema LojaFacil Automação Comercial.

Antes de se decidir pelo sistema a ser utilizado, o empreendedor deve avaliar o preço cobrado, o serviço de manutenção, a conformidade em relação à legislação fiscal municipal e estadual, a facilidade de suporte e as atualizações oferecidas pelo fornecedor, verificando ainda se o aplicativo possui funcionalidades, tais como:

  • Controle de mercadorias;
  • Controle de taxa de serviço;
  • Controle dos dados sobre faturamento/vendas, gestão de caixa e bancos (conta corrente);
  • Emissão de pedidos;
  • Lista de espera;
  • Organização de compras e contas a pagar;
  • Relatórios e gráficos gerenciais para análise real do faturamento da loja.

11 – Canais de distribuição

O principal canal de distribuição de uma loja de calçados é o próprio ponto da loja.

A receita pode ser incrementada com o comércio eletrônico de produtos pela internet (Loja virtual).

 12 – Investimento

O investimento varia muito de acordo com o porte do empreendimento.

Uma loja de calçados, estabelecida em uma área de 100 m², exige um investimento inicial estimado em R$ 80 mil, a ser alocado majoritariamente nos seguintes itens:

  • Reforma do local: R$ 15.000,00;
  • Vitrines e prateleiras: R$ 10.000,00;
  • Capital de giro: R$ 12.000,00;
  • Estoque inicial: R$ 36.000,00;
  • Telefone, microcomputadores e caixas: R$ 7.000,00.

 

13 – Capital de Giro

Capital de giro é o montante de recursos financeiros que a empresa precisa manter para garantir fluidez dos ciclos de caixa.

O capital de giro funciona com uma quantia imobilizada no caixa (inclusive banco) da empresa para suportar as oscilações de caixa.

O capital de giro é regulado pelos prazos praticados pela empresa, são eles: prazos médios recebidos de fornecedores (PMF); prazos médios de estocagem (PME) e prazos médios concedidos a clientes (PMCC).

Quanto maior o prazo concedido aos clientes e quanto maior o prazo de estocagem, maior será sua necessidade de capital de giro. Portanto, manter estoques mínimos regulados e saber o limite de prazo a conceder ao cliente pode melhorar muito a necessidade de imobilização de dinheiro em caixa.

Se o prazo médio recebido dos fornecedores de matéria-prima, mão-de-obra, aluguel, impostos e outros forem maiores que os prazos médios de estocagem somada ao prazo médio concedido ao cliente para pagamento dos produtos, a necessidade de capital de giro será positiva, ou seja, é necessária a manutenção de dinheiro disponível para suportar as oscilações de caixa.

Neste caso um aumento de vendas implica também em um aumento de encaixe em capital de giro. Para tanto, o lucro apurado da empresa deve ser ao menos parcialmente reservado para complementar esta necessidade do caixa.

Se ocorrer o contrário, ou seja, os prazos recebidos dos fornecedores forem maiores que os prazos médios de estocagem e os prazos concedidos aos clientes para pagamento, a necessidade de capital de giro é negativa.

Neste caso, deve-se atentar para quanto do dinheiro disponível em caixa é necessário para honrar compromissos de pagamentos futuros (fornecedores, impostos). Portanto, retiradas e imobilizações excessivas poderão fazer com que a empresa venha a ter problemas com seus pagamentos futuros.

Um fluxo de caixa, com previsão de saldos futuros de caixa deve ser implantado na empresa para a gestão competente da necessidade de capital de giro. Só assim as variações nas vendas e nos prazos praticados no mercado poderão ser geridas com precisão.

Para uma loja de calçados, a necessidade de capital de giro é média, correspondendo a 15% do investimento inicial para, sempre que possível, repor o estoque dos tamanhos com mais saída e adquirir novos modelos.

 

14- Custos

São todos os gastos realizados na produção de um bem ou serviço e que serão incorporados posteriormente ao preço dos produtos ou serviços prestados, como: aluguel, água, luz, salários, honorários profissionais, despesas de vendas, matéria-prima e insumos consumidos no processo de produção.

O cuidado na administração e redução de todos os custos envolvidos na compra, produção e venda de produtos ou serviços que compõem o negócio, indica que o empreendedor poderá ter sucesso ou insucesso, na medida em que encarar como ponto fundamental a redução de desperdícios, a compra pelo melhor preço e o controle de todas as despesas internas. Quanto menores os custos, maior a chance de ganhar no resultado final do negócio.

Os custos para abrir uma loja de calçados, com faturamento médio de R$ 50.000,00, devem ser estimados considerando os itens abaixo:

  • Salários, comissões e encargos: R$ 10.000,00;
  • Tributos, impostos, contribuições e taxas: R$ 8.000,00;
  • Aluguel, taxa de condomínio, segurança: R$ 2.000,00;
  • Água, luz, telefone e acesso a internet: R$ 500,00;
  • Assessoria contábil: R$ 600,00;
  • Propaganda e publicidade da empresa: R$ 1.000,00;
  • Aquisição de matéria-prima e insumos: R$ 20.000,00;
  • Despesas com vendas: R$ 500,00;
  • Despesas com armazenamento e transporte: R$ 500,00.

Seguem algumas dicas para manter os custos controlados:

  • Comprar pelo menor preço;
  • Negociar prazos mais extensos para pagamento de fornecedores;
  • Evitar gastos e despesas desnecessárias;
  • Manter equipe de pessoal enxuta;
  • Reduzir a inadimplência, através da utilização de cartões de crédito e débito.

 15 – Diversificação / Agregação de valor

Agregar valor significa oferecer produtos e serviços complementares ao produto principal, diferenciando-se da concorrência e atraindo o público-alvo.

Não basta possuir algo que os produtos concorrentes não oferecem. É necessário que esse algo mais seja reconhecido pelo cliente como uma vantagem competitiva e aumente o seu nível de satisfação com o produto ou serviço prestado.

As pesquisas quantitativas e qualitativas podem ajudar na identificação de benefícios de valor agregado. No caso de uma loja de calçados, há várias oportunidades de diferenciação, tais como:

  • Oferta de acessórios, como cintos, carteiras, bolsas e artigos em couro;
  • Aderência a redes de franquia;
  • Participação em sistemas associativos de compra para adquirir produtos mais baratos.

16 – Divulgação

A divulgação é um componente fundamental para o sucesso de uma loja de calçados. As campanhas publicitárias devem ser adequadas ao orçamento da empresa, à sua região de abrangência e às peculiaridades do local.

Abaixo, sugerem-se algumas ações mercadológicas acessíveis e eficientes:

  • Confeccionar folders e flyers para a distribuição em residências e escritórios;
  • Realizar promoções de produtos combinados;
  • Oferecer programas de fidelidade;
  • Montar um website para divulgação e venda de produtos;
  • Mesclar a disposição dos produtos para atrair o interesse do cliente.

O empreendedor deve sempre entregar o que foi prometido e, quando puder, superar as expectativas do cliente. Ao final, a melhor propaganda será feita pelos clientes satisfeitos e bem atendidos.

17  – Informações Fiscais e Tributárias

O segmento de LOJA DE CALÇADOS, assim entendido pela CNAE/IBGE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) 4782-2/01 como a atividade de comércio varejista de calçados de qualquer material, poderá optar pelo SIMPLES Nacional – Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas ME (Microempresas) e EPP (Empresas de Pequeno Porte), instituído pela Lei Complementar nº 123/2006.

Nesse regime, o empreendedor poderá recolher os seguintes tributos e contribuições, por meio de apenas um documento fiscal – o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional), que é gerado no Portal do SIMPLES Nacional (http://www8.receita.f azenda.gov.br/SimplesNacional/):

  •  IRPJ (imposto de renda da pessoa jurídica);
  • CSLL (contribuição social sobre o lucro);
  • PIS (programa de integração social);
  • COFINS (contribuição para o financiamento da seguridade social);
  • ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e serviços);
  • INSS (contribuição para a Seguridade Social relativa a parte patronal).

Conforme a Lei Complementar nº 123/2006, as alíquotas do SIMPLES Nacional, para esse ramo de atividade, variam de 4% a 11,61%, dependendo da receita bruta auferida pelo negócio. No caso de início de atividade no próprio ano-calendário da opção pelo SIMPLES Nacional, para efeito de determinação da alíquota no primeiro mês de atividade, os valores de receita bruta acumulada devem ser proporcionais ao número de meses de atividade no período.

Se o Estado em que o empreendedor estiver exercendo a atividade conceder benefícios tributários para o ICMS (desde que a atividade seja tributada por esse imposto), a alíquota poderá ser reduzida conforme o caso. Na esfera Federal poderá ocorrer redução quando se tratar de PIS e/ou COFINS.

Se a receita bruta anual não ultrapassar a R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), o empreendedor, desde que não possua e não seja sócio de outra empresa, poderá optar pelo regime denominado de MEI (Microempreendedor Individual) .

Para se enquadrar no MEI o CNAE de sua atividade deve constar e ser tributado conforme a tabela da Resolução CGSN nº 94/2011 – Anexo XIII (http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/resolucao/2011/CGSN/Resol94.htm ).

Neste caso, os recolhimentos dos tributos e contribuições serão efetuados em valores fixos mensais conforme abaixo:

 I) Sem empregado

  • 5% do salário mínimo vigente – a título de contribuição previdenciária do empreendedor;
  • R$ 1,00 mensais de ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias;

 

II) Com um empregado: (o MEI poderá ter um empregado, desde que o salário seja de um salário mínimo ou piso da categoria)

O empreendedor recolherá mensalmente, além dos valores acima, os seguintes percentuais:

  • Retém do empregado 8% de INSS sobre a remuneração;
  • Desembolsa 3% de INSS patronal sobre a remuneração do empregado.

Havendo receita excedente ao limite permitido superior a 20% o MEI terá seu empreendimento incluído no sistema SIMPLES NACIONAL.

Para este segmento, tanto ME, EPP ou MEI, a opção pelo SIMPLES Nacional sempre será muito vantajosa sob o aspecto tributário, bem como nas facilidades de abertura do estabelecimento e para cumprimento das obrigações acessórias.

Fundamentos Legais: Leis Complementares 123/2006 (com as alterações das Leis Complementares nºs 127/2007, 128/2008 e 139/2011) e Resolução CGSN – Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94/2011.

 18 – Eventos

Os principais eventos do setor são:

  •  Encontro Nacional dos Químicos e Técnicos da Indústria do Couro – Franca – SPWebsite: http://www.abqtic.com.br
  •  Couromoda – São Paulo – SPWebsite: http://www.couromoda.com
  •  Fenac – Festa Nacional do CalçadoNovo Hamburgo – RSWebsite: http://novohamburgo.org

 19 – Entidades em Geral

A seguir, são indicadas as principais entidades de auxílio ao empreendedor:

 Abicalçados

Associação Brasileira das Indústrias de Calçados

Rua Aluízio de Azevedo, 60 Novo Hamburgo – RS

Fone: (51) 3594-7011

Website: http://www.abicalcados.com.br

Abeca

Associação Brasileira de Estilistas de Calçados e Afins

Rua Araxa 750, Bairro Ideal

Novo Hamburgo – RS

Fone: (51) 3587-4889

Website: http://www.abeca.org

E-mail: abeca@abeca.org

Ablac

Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados

Av. Paulista 726 – 17º andar – Bela Vista

São Paulo – SP

Fone: (11) 4506-3023

http://www.ablac.com.br

 Abqtic

Associação Brasileira dos Químicos e Técnicos da Indústria do Couro

Rua Gregório de Mattos, 182

Estância Velha – RS

Fone: (51) 3561-2761

Website: http://www.abqtic.com.br

E-mail: abqtic@abqtic.com.br

Abrameq

Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores de Couro, Calçados e Afins

Rua Lucas de Oliveira, 49 – sala 304

Novo Hamburgo – RS

Fone: (51) 3594-2232

Website: http://www.abrameq.com.br

Assintecal

Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos

Rua Júlio de Castilhos, 526

Novo Hamburgo – RS

Fone: (51) 3584-5200

Website: http://ww3.assintecal.org.br

20 – Normas técnicas

As normas técnicas são documentos de uso voluntário, utilizados como importantes referências para o mercado.

As normas técnicas podem estabelecer requisitos de qualidade, de desempenho, de segurança (seja no fornecimento de algo, no seu uso ou mesmo na sua destinação final), mas também podem estabelecer procedimentos, padronizar formas, dimensões, tipos, usos, fixar classificações ou terminologias e glossários, definir a maneira de medir ou determinar as características, como os métodos de ensaio.

As normas técnicas são publicadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.

21 – Glossário

 ALPARGATAS: Calçado fabricado com lona e solado de corda, originário dos países mediterrâneos, também conhecido como espadrille.

Disponíveis em várias cores, as alpargatas foram depois também confeccionadas com solados de borracha.

O artista plástico espanhol Pablo Picasso costumava usá-las muito e, no Brasil, foram produzidas pela São Paulo Alpargatas S.A. com o nome de Alpargatas Roda.

ANABELA: Calçado que apresenta um solado inteiriço – com altura, espessura e estilos variados.

ANKLE BOOT: Bota de cano extremamente curto, termina no tornozelo (ankle, em inglês) ou logo no comecinho da canela.

Versátil e fashion, pode ter bico e salto mais finos, ideal para a balada, ou ser mais baixa e arredondada, que combina melhor com um estilo esportivo.

A ankle boot pode compor um look moderninho com leggin, calça skinny ou meias grossas. Mas é preciso ficar atento: o modelo é indicado apenas para quem tem tornozelos finos e pernas longas, pois ele achata a silhueta.

BABUCHE: Originária dos países árabes, as babuches ou babuchas são chinelos sem salto, geralmente de couro, adotadas por homens e mulheres.

No Brasil, foram muito usadas nos anos 60 e 70 e voltaram ao cenário da moda a partir do início do ano 2000. As marroquinas são as mais conhecidas, podendo sem simples ou rebordadas com grande requinte. Em Marrakech, babuches em couro com o monograma da francesa Louis Vuitton, obviamente falsificadas, são vendidas nos mercados.

BALLERINE: Sapatilha de balé, sapato feminino, leve e flexível que lembra a sapatilha.

BIRKENSTOCK: Fundador de uma longa dinastia, Johann Adam Birkenstock aparece nos registros alemães como fabricante de calçados desde 1774. Em 1897, seu neto Konrad Birkenstock não se conformava com o fato de os calçados não seguirem a mesma forma do arco plantar dos pés e passou a desenvolver um projeto para criar um novo tipo de palmilha.

Assim, em 1902, foi criada a primeira palmilha com o formato anatômico dos pés, a qual foi rapidamente distribuída na Alemanha. Em 1925, Carl Birkenstock entrou para a empresa e a palmilha foi exportada para outros países europeus.

Em 1964, Karl Birkenstock, filho de Carl, desenvolveu a primeira sandália Birkenstock que, em 1966 foi levada para a América por Margot Fraser. Logo depois, foi inaugurada a Birkenstock USA. A sandália era composta por uma base de cortiça em forma anatômica, acamurçada na parte onde se coloca os pés, sendo arrematada por duas tiras de couro com fivelas laterais. Possuía, ainda, uma fina camada de borracha em sua sola.

Em 1969, inúmeros jovens presentes ao Festival do Woodstock calçavam as famosas sandálias, que, até então, ainda não eram consideradas intens fashion. Trinta anos depois, em 1999, a loja Anatômica, na rue du Bourg-Tibourg na centralizadora Paris, já era o endereço procurado por franceses e inúmeras pessoas de outros países que ali podiam adquirir as sandálias, calçados e tamancos em couros e cores diferentes.

No início do século XXI, a moda das sandálias estourou e, a partir de 2002, inúmeras lojas no Brasil têm comercializado cópias do modelo alemão.

BOTA: Calçado geralmente confeccionado em couro, adotado por homens, mulheres e crianças, envolvendo os pés e com altura variável na perna.

Tem sido usada há séculos e, atualmente há modelos de botas para a prática de esporte, para determinados tipos de trabalho e também para a prática da caça. As botas curtas e brancas criadas por André Courrèges, as da inglesa Mary Quant, que iam até a altura dos joelhos, e as botinhas curtas dos Beatles foram ícones de modas dos anos 60.

No Brasil, Roberto Carlos e grande parte dos integrantes da Jovem Guarda (1965 – 1968) usaram botinhas inspiradas nos modelos do quarteto inglês. Ainda nos anos 70, jovens brasileiras, principalmente do Rio de Janeiro e São Paulo, adotaram o uso de botas longas com shorts, geralmente de couro, complementadas por meias coloridas ou não.

Eram famosas, ainda nessa década, por sua qualidade e design, as botas da marca paulistana Altemio Spinelli, que também tinha lojas no Rio de Janeiro. A parir dos anos 80, as botas apareceram na moda em inúmeros modelos, com diferentes bicos, em couro liso ou estampado, em vinil, com salto alto, baixo ou totalmente planas.

Na moda, continuam aparecendo pelo século XXI adentro os cuissardes (botas até a metade das coxas), as botas caubóis, as de espírito roqueiro ou punk ou as do tipo fetichista, com laçadas frontais. A partir do final do século XX, as botas pesadas – ou coturnos – eram usadas igualmente por jovens de ambos os sexos e o visual contrastante adquirido pelo uso do calçado mais pesado com o vestido mais leve ganhou popularidade entre as adolescentes.

BOTINA: Bota de cano baixo, geralmente de couro, fechada por botões, cadarço ou elástico. Seu uso era comum no século XIX, quando os modelos femininos eram abotoados ou fechados por laçadas. Nas primeiras décadas do século XX, eram muito usadas por crianças e, nos anos 70, as do tipo mateiro, com elástico bilateral, foram adotadas pelos jovens como complementação dos jeans e camisetas.

BROGUE: Modelo de calçado rústico usado por irlandeses em torno de 1790. Atualmente, o nome faz referência a um dos tipos de Oxford, os clássicos sapatos masculinos de amarrar.

CHANEL: “Primo” do scarpin, o chanel diferencia-se por ser aberto atrás e possuir uma tira que passa sobre o calcanhar e abaixo do tornozelo. Seu bico pode ser fino, quadrado ou arredondado. O modelo foi criado nos anos 1960 pela famosa estilista francesa Coco Chanel e, em suas primeiras versões, possuía o bico em cor mais escura, formando um visual bicolor.

Funciona como uma espécie de coringa nas produções, seja com a dupla jeans e camiseta ou com saias e vestidos longuetes.

CLOG: Termo em inglês que significa tamanco. De modelagem fechada na gáspea , lembra o estilo dos tamancos holandeses.

COTURNO: Tipo de calçado que cobre o pé e parte da perna, fechado geralmente por cordões e usado por gregos e romanos na Antigüidade. Atualmente o nome é dado ao tipo de bota usado por policiais e integrantes de tribos urbanas, como os skinheads.

Os punks do final dos anos 70 eram também adeptos desse tipo de calçado, que pode ser até mesmo usado por garotas que apreciam o seu visual pesado.

ESCARPIM: Palavra derivada do italiano scarpino que, em português, segue a pronúncia do francês escarpin, ou seja, escarpan. O escarpin é um sapato feminino, leve, ligeiramente cavado na altura dos dedos e com salto.

GALOCHA: É um tipo de calçado, mais precisamente um tipo de bota, feito de borracha ou outro material impermeável e sem cadarços. São voltadas principalmente para o uso em diferentes atividades profissionais, oferecendo proteção reforçada contra condições adversas de tempo, acidentes e outros.Mas, as botas de borracha ganharam status fashion e já viraram febre em capitais como Nova York, Londres e Paris.

MARY JANE: Conhecido como “sapato de boneca” o calçado tem o bico e o “decote” arredondados, saltos medianos ou altos e uma tira que atravessa o peito do pé, presa por uma fivelinha ou velcro. Com um ar ao mesmo tempo infantil e sofisticado, é perfeito com saias e vestidos curtos. Os modelos em cetim, verniz ou bicolores estão entre os mais procurados dessa estação.

MOCASSIM: Os algonquinos, povos indígenas de algumas partes dos Estados Unidos e Canadá já usavam a palavra mokasin para referir-se a seus calçados de couro e, em inglês, a palavra moccasin é usada para denominar um tipo de calçado simples e baixo.

Os confeccionados pelos índios norte-americanos são calçados leves de couro, com parte superior e inferior costuradas à mão com pontos largos, sem salto, bastando enfiar o pé para calçá-los. Interpretações coloridas desses mocassins apaches, com enfeites e bordados de miçangas têm reaparecido continuamente na moda contemporânea. Já os modelos mais estruturados do século XX foram chamados de loafers pelos ingleses e americanos.

Os chamados penny loafers, com uma tira com pequena abertura por cima da gáspea, receberam esse nome nos anos 50, quando os americanos costumavam guardar uma moeda de um penny nessa pequena fenda para possíveis pequenos gastos ao sair de casa. Os mocassins com bridões, lançados pela italiana Gucci na década de 1960 tornaram-se um clássico, foram produzidos com solados de couro ou borracha e têm sido copiados no mundo inteiro.

MULE: Calçado do tipo chinelo, com salto e calcanhar descoberto usado desde o século XVI na França. As mules eram frágeis, confeccionadas em tecido e adotadas por homens e mulheres, sendo a distinção feita pelo pequeno salto presente nos modelos femininos. A partir do século XX, passaram a pertencer exclusivamente ao guarda-roupa das mulheres, tendo sido grande moda a partir de 199.

As mules do início do século XXI foram fabricadas mos mais variados tipos de couro, saltos e bicos, servindo como complemento para inúmeros trajes, particularmente para as calças Capri, reeditadas no início da década de 2000. No Brasil, o exagero em relação aos bicos, extremamente pontudos foi depois compartilhado com versões de ponta quadrada.

OXFORD: Modelo de sapato de couro de amarrar. Os sapatos Oxford possuem vários tipos, sendo o brogue e o derby os mais conhecidos. O brogue originou-se na Irlanda como um calçado resistente para camponeses e, com o passar do tempo sofreu modificações, sofisticando-se e recebendo outros nomes.

O Cap-toe Oxford ou Derby tem uma segunda camada de couro em sua ponta, podendo ou não apresentar pespontos ou perfurações. Ainda que seja tentada uma precisão na descrição e definição dos modelos, é sabido que, tanto na Europa quanto no Brasil e nos Estados Unido, estes calçados possuem inúmeras variações de acordo com seus fabricantes.

PEEP TOE: Possui uma frente mais arredondada, deixando à mostra a pontinha dos dedos dos pés (o nome vem do inglês: peep = começar a aparecer e toe = dedo).

O modelo, um dos preferidos nos anos 1940, hoje é utilizado para dar um toque mais retrô ou romântico às produções. Aposte no peep toe com jeans, saias e vestidinhos. Uma boa opção neste inverno é investir em cores vibrantes como vermelho, berinjela, pistache, azul-royal e mostarda.

SABOT: Palavra francesa que significa tamanco, sem calcanhar. Também chamado mule.

SANDÁLIAS: Modelo preso ao solado apenas através de tiras grossas ou finas, deixando boa parte do pé exposta.

É o mais prático e democrático dos calçados e combina com todos os estilos de roupa, materiais, alturas e cores.

As rasteirinhas ajudam a compor uma produção mais despojada enquanto as de salto alto proporcionam um visual mais sexy e sofisticado. Uma de suas versões mais em voga na temporada é o ousado tipo gladiador, sem salto e com tiras presas ao tornozelo, que vai bem com shorts, calças largas e vestidinhos.

SAPATILHA: Já se foi o tempo em que só as mais altas podiam abusar das sapatilhas. Adotada do figurino das bailarinas clássicas, a sapatilha ganhou roupagens mais moderninhas, sendo confeccionadas em diferentes materiais, cores e estilos.

Neste inverno, invista nos bicos arredondados em verniz ou cetim, com laços, fivelas e muitas cores! Sapatilhas combinam com jeans skinny e capri, shorts, minissaias, meia-calça e vestidinhos. As mais ousadas podem se jogar nas estampas em oncinha e nos estilos college e vintage.

SNEAKERS: Calçado esportivo com amarração e com sola de borracha

TAMANCO: Calçado com solado em madeira, PVC ou cortiça, fabricado em inúmeras versões e modelos.

Nos anos 50 e início dos anos 60, eram comuns os tamancos grosseiros, compostos por uma base em madeira e uma tira larga, por onde se passava o pé.

Eram os tamancos de português, chamados dessa maneira por serem usados principalmente por porteiros de prédios, na sua maior parte, imigrantes e por trabalhadores como os compradores de jornais velhos e de garrafas que, por puxarem um grande carrinho de madeira de duas rodas atrás de si mesmos eram apelidados maldosamente de burros-sem-rabos.Na década de 70, os tamancos de madeira ortopédicos e os tamancos conhecidos por tamancos suecos ou holandeses tornaram-se grande moda no Rio de Janeiro.

22 – Dicas de Negócio

Uma loja de calçados depende fundamentalmente de um bom ponto comercial. Lojas situadas em ruas de grande movimento, preferencialmente no lado do trajeto centro-bairro residencial são mais bem-sucedidas.

As portas devem ser de vidro com, no mínimo, um metro de largura. Devem-se evitar desníveis e degraus para promover a acessibilidade de pessoas portadoras de necessidades especiais e carrinhos de bebê.

Outro fator de sucesso é o atendimento. Os funcionários precisam estar capacitados para transmitir informações sobre os produtos e serviços prestados pela loja.

O empresário também deverá integrar a gestão das diversas áreas da empresa, principalmente no início das atividades do novo empreendimento, tanto na parte comercial, quanto operacional e na gestão financeira do negócio.

Outro ponto bastante interessante é que o empreendedor tenha em seu negócio, calçados para atender a moda masculina, feminina, infantil, infanto-juvenil, bolsas, cintos, meias, cuecas e outros acessórios de marcas renomadas em todo o território nacional e até mesmo internacional, visando dar opção de compra para toda a família e não apenas um determinado público.

Deve se ter um cuidado especial com a decoração da loja de calçados, buscando aliar beleza e sofisticação sem ser agressivo ou inibir o acesso de pessoas com menor condição financeira. O processo de decoração deve ser o resultado de um conjunto de detalhes definidos no projeto arquitetônico, conciliando mobiliário, pintura, iluminação, revestimentos.

A exposição de produtos deverá respeitar o seu público-alvo, que poderá ser entendido da seguinte forma:• Para as lojas focadas nas classes C e D, deve-se expor a maior quantidade possível de produtos.• Para as lojas focadas nas classes A e B, deve-se diminuir a exposição, evidenciando apenas os produtos mais caros;• Se a loja estiver localizada em um shopping, será necessário um expositor melhor elaborado, pois as limitações são maiores e as vitrines adquirem um papel fundamental.

23 – Características

O empreendedor que desejar ingressar no segmento de loja de calçados deve ter algumas características básicas, tais como:

  • Ter conhecimento específico sobre compra e comércio de calçados, dentre outras atividades ligadas à área comercial. Esse conhecimento pode ser relativo à experiência de ter trabalhado no segmento ou poderá ser adquirido com a participação em cursos e eventos sobre o segmento de seu empreendimento ou ainda relacionados a outros setores que atuam com comércio;
  • Tal conhecimento requer habilidades para analisar e montar grades de compras de calçados, na qual deverá estar presente numeração variada, modelos diversos, produtos segmentados por idade, sexo, estilos, moda por estação do ano, dentre outros, buscando assim agregar qualidade de seus produtos diante dos olhos dos clientes, bem como valorizar sua loja;
  • Estar amparado nas tendências de mercado. Ser capaz de comprar itens de seu mix de produtos que venham a despertar o interesse de clientes que entrem em sua loja ou mesmo estejam apenas passando na porta de seu empreendimento;
  • Ter noção de montagem de vitrine, procurando expor produtos que denotem interesse nos passantes em parar para olhar a referida vitrine, o que poderá ensejar em possibilidade de ter mais pessoas entrando em seu estabelecimento comercial;
  • Sempre buscar melhorar o nível de seu negócio, participando de cursos específicos sobre lojas de calçados, moda calçadista, tendências por estação e de gestão empresarial;
  • Ter habilidade no tratamento com pessoas, tanto com seus colaboradores quanto com clientes, fornecedores e outros empresários de seu segmento, principalmente em reuniões de associações da classe, enfim, com todos que de forma direta ou indireta tenha ligação com a empresa;
  • Atuar antecipando tendências, com visão de futuro sobre o interesse de consumo de novos estilos de calçados, para qualquer sexo e idade, além de estar sempre atento às inovações de mercado;
  • Ter visão comercial. Procurar elaborar mix de produtos que agradem e atendam aos anseios da clientela. Não tentar impor o seu próprio gosto;
  • Apresentar disponibilidade total de horário para atuar no dia a dia da loja de calçados, devendo estar presente o tempo todo em que a loja estiver aberta para atendimento a clientes, sendo esse um ponto bastante positivo perante a clientela.

Outras características importantes, relacionadas ao risco do negócio, podem ajudar no sucesso do empreendimento:

  • Busca constante de informações e oportunidades;
  • Iniciativa e persistência;
  • Comprometimento;
  • Qualidade e eficiência;
  • Capacidade de estabelecer metas e assumir riscos;
  • Planejamento e monitoramento sistemáticos;
  • Independência e autoconfiança;
  • Senso de oportunidade;
  • Conhecimento do ramo;
  • Liderança.

 24 – Bibliografia

COBRA, Marcos. Administração de vendas: casos, exercícios e estratégias. São Paulo: Atlas, 1981. 398 p.

FIGUEIRA, Eduardo. Quer vender mais? Campinas: Papirus, 2006. 112 p.

GIL, Edson. Competitividade em vendas. Rio de Janeiro: Alta Books, 2003. 92 p.

LUPPA, Luis Paulo. O vendedor pit bull. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2007. 128 p.

MCCORMACK, Mark H. A arte de vender. [S. l.]: Best Seller, 2007. 192 p.

SEGAL, Mendel. Administração de vendas. São Paulo: Atlas, 1976. 253 p.

STANTON, William J. Administração de vendas. Rio de Janeiro: Guanabara Dois, 1984. 512 p.

TOMANINI, Cláudio et al. Gestão de vendas. São Paulo: Ed. FGV, 2004. 148 p. (Marketing das publicações FGV management).